
Um homem e uma mulher denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foram condenados a 27 anos e quatro meses e a 30 anos e oito meses de prisão, respectivamente, pelo latrocínio de um venezuelano que foi roubado e morto após ser empurrado de um penhasco com mais de 80 metros de altura, em Araranguá, em 8 de março de 2025. Outros dois homens também foram condenados a um ano de reclusão cada um pelo crime de receptação do veículo da vítima. As sentenças foram proferidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Araranguá, que acolheu os pedidos do MPSC.
Segundo o MPSC, a mulher foi condenada por latrocínio, agravado pelo meio cruel e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, além de corrupção de menores, praticada três vezes, e fraude processual, pela tentativa de alterar o estado do veículo para dificultar a investigação. A pena aplicada a ela foi de 30 anos e oito meses de reclusão, em regime inicial fechado. O outro réu condenado pelo latrocínio recebeu pena de 27 anos e quatro meses de prisão, também em regime inicial fechado, pelos mesmos agravantes e pela corrupção de menores.
Os dois réus condenados por latrocínio também deverão pagar R$ 20 mil de indenização aos familiares da vítima. Ambos seguirão presos e tiveram negado o direito de recorrer em liberdade. Já os outros dois adultos envolvidos, um que conduziu o veículo até o Rio Grande do Sul e outro que o dirigiu na cidade de São Leopoldo, foram condenados a um ano de reclusão cada um, em regime inicial aberto, pelo crime de receptação.
O crime ocorreu na madrugada de 8 de março de 2025 e foi apurado pela atuação conjunta da 3ª e 4ª Promotorias de Justiça de Araranguá. Conforme a denúncia, a vítima, um homem venezuelano, foi atraída por uma mulher que fingiu interesse afetivo e marcou um encontro previamente combinado com outros envolvidos, entre eles três adolescentes.
O grupo encontrou a vítima em uma conveniência em Araranguá, onde a mulher apresentou falsamente os acompanhantes para evitar suspeitas. Em seguida, ofereceram bebidas alcoólicas ao homem até que ele ficasse embriagado. Depois, convenceram a vítima a levá-los de carro até o Farol do Morro dos Conventos, local escolhido para a execução do crime.
Em uma área isolada próxima ao penhasco, o homem adulto, acompanhado dos adolescentes, sem a presença da mulher, anunciou o assalto, roubando as chaves do carro, a carteira e o celular da vítima. Após ordenar que ele pulasse e diante da recusa, os autores empurraram o homem do penhasco, com cerca de 80 metros de altura. A queda provocou traumatismo cranioencefálico, que causou a morte da vítima.
Após o latrocínio, o adulto e os adolescentes entraram no carro da vítima e fugiram do local com os bens roubados. Em seguida, encontraram-se novamente com a mulher que havia atraído o venezuelano, permanecendo todos juntos e circulando entre Balneário Arroio do Silva e Araranguá, onde continuaram consumindo bebidas alcoólicas e utilizando o veículo roubado.
No dia seguinte à tarde, a mulher e dois adolescentes fugiram para o Rio Grande do Sul com o carro da vítima, conduzido pelo padrasto dela, que já sabia que o automóvel era produto de crime. No estado vizinho, juntaram-se a outro homem, que também tinha conhecimento da origem ilícita do veículo. A pedido da mulher, ele passou a dirigir o automóvel em São Leopoldo, tentando vendê-lo a um desmanche.
Durante a madrugada de 10 de março, a Brigada Militar avistou o carro sendo conduzido em situação suspeita, realizou a abordagem e apreendeu o veículo. Em data posterior, os dois acusados de latrocínio foram presos preventivamente.
Ao avaliar a condenação, o promotor de Justiça Gabriel Ricardo Zanon Meyer afirmou que as penas aplicadas refletem a gravidade do crime, cometido de forma extremamente cruel. Segundo ele, ficou evidenciado o desprezo do grupo pela vida humana, ao tirar a vida de um jovem apenas para obter dinheiro e um veículo, utilizados para consumo de bebidas e festas ainda na noite do crime.
Via Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC