
Dois irmãos foram condenados pela Justiça de Santa Catarina por uma série de furtos qualificados e por lavagem de dinheiro em Araranguá. As penas somam 20 anos e 10 dias de prisão em regime fechado para o réu apontado como mentor do esquema e quatro anos de reclusão em regime semiaberto para o comparsa, também condenado por lavagem de capitais.
A condenação é resultado de ação penal ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que apurou crimes cometidos entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. Segundo a denúncia, os réus praticaram arrombamentos, escaladas e ocultação de valores, causando prejuízos milionários às vítimas e estruturando um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro.
Além das penas, a Justiça fixou indenizações mínimas de R$ 1.499.174,23 para uma das vítimas e de R$ 2.436 e R$ 1.500 para dois estabelecimentos comerciais da cidade. Também foi determinado o perdimento de bens adquiridos com recursos ilícitos, incluindo imóvel e veículos, além da reversão de parte dos valores bloqueados em contas bancárias para a reparação dos danos.
De acordo com o MPSC, o primeiro crime ocorreu na madrugada de 17 de dezembro de 2024, quando um dos réus invadiu um despachante, arrombando a porta e o cofre com um pé de cabra. Foram levados um cheque de R$ 4.633 e R$ 2.436 em dinheiro. Horas depois, o mesmo criminoso violou uma imobiliária, de onde subtraiu três celulares e R$ 500. Ambos os furtos foram registrados por câmeras de segurança.
Na véspera de Natal, o esquema atingiu seu ponto mais grave. Um dos acusados escalou o muro de um edifício residencial, invadiu um apartamento e arrombou um cofre que guardava cerca de R$ 187 mil em espécie, US$ 160 mil, € 10 mil, joias e relógios de luxo avaliados em centenas de milhares de reais, além de quatro armas de fogo. O prejuízo da vítima ultrapassou R$ 1,4 milhão.
Em alegações finais, o Promotor de Justiça Flávio Fonseca Hoff destacou que o prejuízo total estimado supera R$ 2,5 milhões. Segundo relato da vítima, o criminoso permaneceu cerca de três horas dentro do apartamento, demonstrando conhecimento preciso sobre a localização do cofre, o que foi descrito como “a perda da economia de uma vida”.
Conforme a acusação, após os furtos, os irmãos iniciaram a lavagem de dinheiro por meio da inclusão de valores em contas de terceiros e da aquisição de bens como um terreno, um Renault Duster, uma motocicleta Kawasaki Z900 e aparelhos iPhone. As compras foram realizadas com transferências via Pix, envolvendo contas dos réus e de um sobrinho, cuja participação indireta foi citada na denúncia, mas que acabou absolvido por falta de provas quanto ao dolo, a pedido do próprio MPSC.
Parte do dinheiro também foi convertida em dólares em casas de câmbio. A investigação contou com a quebra de sigilo bancário de diversas contas e com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) do Ministério Público de Santa Catarina.