
Os professores da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) decidiram, em assembleia realizada na noite desta segunda-feira, no Sindicato dos Ceramistas, aceitar a proposta de reajuste salarial apresentada pela entidade e encerrar a greve que durava desde a última terça-feira, dia 12. Com 406 professores presentes, a proposta foi aprovada por 355votos. As atividades nos Centros de Educação Infantil (CEIs) retornam ao normal nesta terça-feira, 19, encerrando uma paralisação que deixou 6 mil crianças sem atendimento e mobilizou a cidade por dias.
A greve teve início após o impasse em torno do piso nacional do magistério, fixado em R$ 5.130,64 para 40 horas semanais. Os professores, que recebiam R$ 3.133,62, reivindicavam um reajuste de 63% para alcançar o piso. As primeiras propostas da Afasc ficaram muito aquém da demanda: a entidade ofereceu inicialmente 5,36%, depois elevou para 6,36%, mas ambas foram rejeitadas pela categoria. O novo acordo estabelece salário de R$ 3.332,92, representando reajuste de 6,36%.
Negociação evoluiu ao longo da segunda-feira
A negociação foi conduzida ao longo do dia pelo Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (Steersesc) e pela direção da Afasc, que se reuniram durante a tarde para debater os termos antes de levar o tema à assembleia. O presidente do Steersesc, José Argente Filho, foi um dos que defendeu com mais veemência a busca por um acordo antes que a situação se agravasse ainda mais. “Alguém tem que ter juízo. Nós temos que sentar numa mesa e achar uma saída. Não é um querer matar o outro. São 6 mil crianças fora da sala de aula. São mil professoras fora da sala de aula”, disse.
Durante toda a paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC) negou por duas vezes o pedido da Afasc para declarar a greve abusiva. O juiz Hélio Henrique Garcia Romero manteve, em ambas as ocasiões, o entendimento de que o magistério não é atividade essencial pela Lei de Greve e que o Steersesc havia cumprido todos os requisitos legais para a paralisação, como assembleia, tentativa de negociação e comunicação prévia superior a 48 horas. Mesmo assim, o número de CEIs em funcionamento parcial foi crescendo gradualmente ao longo da semana, à medida que professoras retornavam às unidades.