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Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia ao cargo

Joseph Kent afirmou que Irã não é ameaça iminente e publicou carta atribuindo guerra ao lobby israelense

Publicada em 18/03/26 às 07:51h - 5 visualizações

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Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia ao cargo
 (Foto: FUMACA SUL)

O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (EUA), Joseph Kent, renunciou ao cargo, nesta terça-feira (17), por não concordar com a guerra no Irã promovida pelo governo de Donald Trump em parceria com Israel.

“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava uma ameaça iminente à nossa nação, e é claro que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby”, afirmou o agora ex-diretor ligado ao Escritório Nacional de Inteligência dos EUA (DNI).

Kent destacou que apoiou os “valores” e políticas que Trump defendeu nas suas campanhas eleitorais quando o então candidato afirmava que as guerras no Oriente Médio “eram uma armadilha que roubava da América as preciosas vidas de nossos patriotas”.

Porém, para o então assessor da Casa Branca, Trump teria sido influenciado, no atual mandato, por altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia que o teriam empurrado para a guerra no Irã.

“Essa câmara de eco foi usada para enganá-lo, fazendo-o acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos EUA e que, se você atacasse agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque”, completou o veterano de guerra.

Trump se elegeu criticando as guerras dos EUA no Oriente Médio e a participação da Casa Branca na Ucrânia, motivo que tem levado parte da base de apoio do presidente republicano a condenar a agressão militar contra o Irã.

Veterano de guerra

Joseph Kent serviu o Exército dos EUA por 20 anos, tendo atuado em 11 destacamentos em combates no Oriente Médio. Ele se aposentou das Forças Armadas em 2018. Kent ainda perdeu a esposa, Shannon Kent, militar da Marinha estadunidense, em um atentado na Síria.

“[Perdi] minha amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano”, completou o ex-assessor da Casa Branca.

O então diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA estava sob a coordenação da diretora do Escritório Nacional de Inteligência (DNI) da Casa Branca, Tulsi Gabbard. O DNI reúne toda a comunidade de inteligência dos EUA que assessora a Casa Branca e demais instituições de segurança e inteligência do país.

Motivos da guerra

Em março de 2025, antes do primeiro ataque dos EUA e Israel contra o Irã, a chefe do DNI negou que o Irã estivesse construindo uma arma nuclear, como alegam Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Analistas consultados pela Agência Brasil têm alertado que a acusação de que o Irã desenvolve armas nucleares seria um “pretexto” para derrubar o governo de Teerã.

A mudança de regime no Irã teria, como objetivo, acabar com a oposição do país persa à política de Washington e de Tel Aviv no Oriente Médio, além de ser uma forma de conter a expansão econômica da China na região em meio à guerra comercial travada com os EUA.




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