
Aos 96 anos, dona Maria realizou um sonho que parecia distante: conhecer o mar pela primeira vez. Nascida e criada no interior, ela sempre ouvira histórias sobre a imensidão azul, o som das ondas e o cheiro salgado do vento, mas nunca teve a oportunidade de ver tudo isso de perto. Ao chegar à praia, seus olhos se encheram de lágrimas diante do horizonte sem fim, como se estivesse diante de algo sagrado e eterno. Perto de completar 100 anos, Maria Luiza Alves dos Passos, natural de Ipê, no Rio Grande do Sul – sendo que hoje mora em Vacaria – nunca tinha visto o mar.
PRESENTE
A neta, Natália Chaves, jornalista em Criciúma, conta que ela tem nove filhos, além de netos e bisnetos. “Ela não é alfabetizada e mesmo depois de aposentada, nunca viajou por falta de oportunidade”, comenta Natália. Porém, neste Natal, a família resolveu dar um presente diferente para dona Maria. “Minha mãe, que é filha dela, alugou uma casa no Balneário Arroio do Silva, e conseguiu trazer ela junto”, ressalta a neta.
Como a avó tem mobilidade reduzida, os bombeiros ajudaram na ação com cadeiras anfíbias. “Ela tem mobilidade reduzida, por isso, pensamos que com as cadeiras anfíbias e o apoio dos bombeiros ia ser mais tranquilo e foi uma experiência incrível. Eles nos atenderam super bem desde o início e trataram-na com a maior atenção de dedicação possível”, diz Natália. A jornalista conta que a avó “é muito prosa” e que desde que os bombeiros a colocaram na cadeira ela já foi conversando. “Contou para eles que não conhecia a praia, mas que banho de cachoeira já tinha tomado”.
A experiência emocionou todos ao redor, tornando-se uma lição sobre o valor dos sonhos e do tempo. Dona Maria mostrou que nunca é tarde para viver algo novo e que a vida, mesmo em sua fase mais avançada, ainda guarda surpresas capazes de encantar. O encontro com o mar transformou-se não apenas em uma viagem, mas em uma memória eterna para ela e para sua família. “Ela no começo estranhou, mas depois gostou como achei que iria acontecer. Ela saiu falando para eles que voltaria. Na volta ela disse para o marido da minha prima: morrendo e aprendendo né?!”, conclui aos risos a neta.